TRATAMENTO NÃO CIRÚRGICO

Uma vez que se tenha o diagnóstico da sua dor, pode-se tentar tratamentos não operatórios para aliviá-la e melhorar a função. Sabemos que a articulação não é nutrida por sangue, já que a chegada deste no ambiente articular é limitada. O líquido sinovial é quem nutre e lubrifica as superfícies articulantes. Sua produção é feita pelas células da camada sinovial, que estão grudadas na cápsula pelo lado de dentro e sua produção é estimulada pelo movimento.

Por isso, tentar fazer de tudo para manter o arco de mobilidade e a força muscular é importantíssimo, já que o quadril tende a perder arco de mobilidade e força com o avanço da doença. Para conseguirmos isso, existem várias técnicas de fisioterapia direcionadas ao quadril que podem ajudar. Perder peso se você está acima é importante, mas perder peso em vigência de dor pode ser tarefa impossível. Vale a pena tentar, pois em pacientes acima do peso a incisão é maior e o tempo operatório pode ser maior também, além de maior tendência a infecção e perda sanguínea.

No período pós-operatório, o excesso de peso pode tornar mais difícil a reabilitação, além do maior risco de outras complicações como trombose ou flebites. Pela maior dificuldade respiratória, pacientes com sobrepeso podem ter também problemas pulmonares e risco aumentado de diabetes. Apesar de todas as dificuldades apontadas acima, não existem diferenças comprovadas no período de recuperação e nos resultados a longo prazo entre os pacientes de peso normal e os acima do peso.

Marcha com dispositivo auxiliar (bengala)

Figura 12. Marcha com dispositivo auxiliar (bengala).

Quanto a questão de usar ou não bengala, pode ser útil em quadris dolorosos aliviando a carga de peso na articulação. Todavia, isso acontece somente quando usamos a bengala do lado correto, que deve ser no lado oposto ao lado que dói. (Figura 12).

Medicamentos também podem ser úteis para aliviar a dor. Há várias medicações que podem ajudar nesta tarefa, mas as mais comuns são as anti-inflamatórias, que podem ser hormonais ou não hormonais e os suplementos alimentares, como a glucosamina e condroitina, além de muitos outros. As drogas anti-inflamatórias não hormonais são o método mais comum de tratamento e são chamados assim pois não acontecem naturalmente no nosso organismo ou seja, são quimicamente sintetizados. Os anti-inflamatórios hormonais são cópias do hormônio esteroide produzido naturalmente no corpo.

O efeito dos principais anti-inflamatórios não hormonais acontece pela inibição da enzima chamada cicloxigenase, que ajuda a produzir as prostaglandinas. As prostaglandinas estimulam a resposta inflamatória numa articulação com artrose. Existem duas enzimas cicloxigenase, a COX-1 e a COX-2. Aquela que media a resposta inflamatória é a COX-2. A COX-1 é a que produz o muco no estômago, aquele que protege o estômago do ataque do ácido clorídrico que ali existe para digerir os alimentos. Um anti-inflamatório que afete ambas as COX vão reduzir a resposta inflamatória, porém também vai provocar diminuição do muco do estômago, tornando-o vulnerável ao ácido gástrico e consequentemente úlceras.

Existem hoje em dia anti-inflamatórios seletivos que bloqueiam somente a COX-2, tendo assim menos efeitos nocivos sobre o estômago. Há também sobrecarga renal com o uso de anti-inflamatórios não hormonais. A aspirina em altas doses também é um potente anti-inflamatório não hormonal e sua atuação também bloqueia a função das plaquetas do sangue, que pode provocar efeitos colaterais importantes, como sangramento. Fora os efeitos colaterais mais comuns no estômago e rins, outros efeitos colaterais como alergia e alteração na pressão arterial podem ocorrer. Aspirina também é conhecida por causar zumbido no ouvido.

Outra droga que ajuda muito no controle da dor é o paracetamol ou acetaminofen (Tylenol), que não é considerado um anti-inflamatório porque não tem este efeito. Mas pode baixar a febre e aliviar a dor. Quando ingerido por um longo período ou em doses altas, pode ter efeitos colaterais nocivos no fígado. Quanto aos suplementos, os mais populares são a glucosamina e a condroitina e estão discutidos na seção farmacologia.

O uso de anti-inflamatórios hormonais, como injeções de cortisona dentro da articulação podem ajudar, com a vantagem que o uso local não faz a cortisona circular muito pelo corpo. As infiltrações devem ser guiadas por imagens, pois a articulação do quadril é profunda e sem a utilização de radioscopia ou ultrassonografia a chance de errar o local da aplicação é enorme.

Após a indicação da prótese, geralmente o médico encaminha o paciente para um médico clínico para completa avaliação e quantificação do risco cirúrgico, sobretudo nos pacientes acima dos 40 anos de idade. A suspensão de alguns medicamentos em uso pelo menos uma semana antes da cirurgia é fundamental, principalmente os que alteram a coagulação, como AAS, Gingko-Biloba, Ginseng, Plavix e outros. Parar de fumar e beber muito tempo antes da operação também é importantíssimo.

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