3. Técnica Básica da Artroscopia do Quadril

A grande vantagem em optar pelo posicionamento do paciente em decúbito dorsal (ou seja, de barriga para cima) é a de utilizar menor quantidade de aparato, motivo pelo qual adotamos esta abordagem, utilizando mesa ortopédica comum.
Descrição da técnica:
3.1 – Anestesia: a melhor anestesia é aquela capaz de propiciar grande relaxamento, além de hipotensão (baixa pressão sanguínea) arterial durante a operação, o que melhora muito a visibilização do interior da articulação. Para isso, recomenda-se a anestesia geral hipotensiva. Pode-se também utilizar a anestesia raquideana, que requer bloqueio adequado para assegurar o completo relaxamento muscular e baixa pressão arterial no transcurso da operação.

3.2 – Posicionamento do paciente na mesa cirúrgica: o paciente é posicionado de barriga para cima na mesa ortopédica. É importante que se possa rodar livremente o membro no decorrer do procedimento, pois com freqüência nos deparamos com a necessidade de leve rotação externa para a facilitação do posicionamento do portal anterior. A extremidade contralateral deve ser posicionada em abdução com o objetivo de acomodar o aparelho de raio-X entre os membros inferiores. É importante que o membro contralateral seja também levemente tracionado para contrabalançar as grandes forças de tração, o que promove o equilíbrio da pelve na mesa(9). 

3.3 – Tração: Após a aplicação da tração à extremidade a ser operada, o espaço obtido deve ser confirmado pelo exame radioscópico. Sempre que possível, é importante monitorar a quantidade de tração utilizada, com o auxílio de uma célula de carga que mede objetivamente a tração exercida sobre o quadril. Geralmente utiliza-se 25 a 30 Kg. de peso para conseguir-se adequado espaço articular. Quem não possui célula de carga para a leitura do peso utilizado na tração pode contar o número de voltas necessárias na manivela de tração para conseguir o espaço. Este espaço é confirmado pelo fenômeno de vácuo que se observa na articulação, criado pela pressão negativa causada pela tração, que será rompida pela agulha por onde entra ar e injeta-se solução fisiológica. Neste momento, ocorre a real quebra do selo de vácuo articular, o que promove o adequado espaço articular para a passagem das cânulas(9). É importante ressaltar que o teste de tração deve ser realizado antes da anti-sepsia e a tração deve ser relaxada enquanto a equipe prepara-se para entrar em campo cirúrgico.

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