Pubalgia

A pubalgia é causa frequente de dor pélvica, especialmente em esportistas (mais comumente naqueles esportes que exigem desvios rotacionais abruptos do tronco e hiperextensão dos quadris e naqueles em que são necessários chutes).

É definida como uma síndrome que cursa com dor na região púbica e inguinal. Existe grande confusão diagnóstica, pois uma série de alterações podem causar esses sintomas e são frequentemente confundidos. Devido a confusão diagnóstica, existe uma sinonímia grande: osteíte púbica, dor inguino-crural, síndrome do grácil, artropatia púbica, doença pubiana, síndrome dos adutores, osteopatia dinâmica da pube, tendo-osteocondrose da pube, pubeíte, pubialgia, sinfisíte e hérnia.

Como definição, na pubalgia em si a dor decorre do desequilíbrio entre a musculatura do reto abdominal e dos adutores na região da pube.

Já a osteíte púbica, consiste, além das alterações supracitadas, de instabilidade pélvica na região anterior (podendo, inclusive, ter como causa algumas doenças reumatológicas).

Em ambas as situações a dor é mencionada na região anterior. Na pubalgia é mais especificamente direcionada na região da pube/virilha enquanto que na osteíte é localizada mais frequentemente na região da sínfise púbica. E ambas a dor pode irradiar para baixo ventre, períneo e adutores. Nos homens pode haver dor e desconforto escrotal.

No exame físico, a dor é desencadeada à palpação dos pontos dolorosos, e com adução, do membro inferior do lado afetado, contra a resistência. O apoio em um só pé também pode causar desconforto e dor. Em alguns casos pode haver sinais de impacto fêmoro-acetabular concomitante.

Uma manobra útil para verificação de caso de pubalgia pode ser a realização de contração abdominal com o lado doloroso fletido, abduzido e rodado externamente com apoio da face plantar do pé afetado sobre o joelho contralateral (figura 1).

Fig. 1. Avaliação de possível causa de pubalgia que se trata de um desequilíbrio entre a musculatura adutora e retofemoral

Fig. 1. Avaliação de possível causa de pubalgia que se trata de um desequilíbrio entre a musculatura adutora e retofemoral

No caso de uma osteíte púbica, a compressão lateral da pelve com o paciente deitado de lado pode desencadear dor na região da sínfise púbica. Forças de cisalhamento aplicadas (forças contrárias em cada um dos ramos púbicos) também podem ser sintomáticas.

Radiografias simples, ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética são exames que podem ajudar e diferenciar de uma hernia inguinal.

Infecções após procedimentos ginecológicos ou urológicos podem causar processo inflamatório local, porém são raras e sinais inflamatórios intensos e exames laboratoriais alterados são observados nestes casos.

Os casos de pubalgia são tratados basicamente com fisioterapia, porém, a persistência dos sintomas, sem melhora com tratamento conservador, deve ser tratada de forma cirúrgica

Referências:

1) Hegedus EJ, Stern B, Reiman MP, Tarara D, Wright AA. A suggested model for physical examination and conservative treatment of athletic pubalgia. Phys Ther Sport. 2013 Feb;14(1):3-16. Review.

2) Khan W, Zoga AC, Meyers WC. Magnetic resonance imaging of athletic pubalgia and the sports hernia: current understanding and practice.Magn Reson Imaging Clin N Am. 2013 Feb;21(1):97-110. Review.

3) Arthur Nam, Fred Brody, Journal of the American College of Surgeons. Volume 206, Issue 1, January 2008, Pages 154–164

 

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