Introdução às terapias ocupacionais

Postura é o conjunto em posição das articulações de um corpo em um determinado momento atuando para fornecer o equilíbrio no espaço, uma entidade formada em conjunto com o sistema nervoso e os músculos. Embora muitas pessoas achem que postura seja só o conjunto ditado pela coluna vertebral, esta também é parte primordial e essencial da postura por que irá determinar, sob diversas influências, a direção dos membros superiores e inferiores.

As terapias posturais têm tido destaque cada vez maior, tanto no âmbito acadêmico quanto nos consultórios e clínicas. Ao contrário do que possamos imaginar, todas as pessoas que buscam melhora na sua qualidade de vida ou desempenho esportivo podem se beneficiar das terapias posturais, e não somente pessoas que tenham compromentimento do sistema musculoesquelético.

Recentes publicações científicas tem contribuído significatemente na utilização e na indicação segura das técnicas posturais, já que são diversas e cada vez mais citadas.(1) (2) (3) (4) (5) (6) Certamente a modernização vem aumentando a necessidade de um trabalho que trate e promova equilíbrio (físico e mental) simultanealmente devido a longas horas de trabalho nos escritórios ou período escolar.

Adultos e crianças podem beneficiar-se do trabalho postural, já que para a efetividade de qualquer técnica é importante a obtenção da noção do corpo no espaço, o que chamamos de percepção corporal. Além disso, o propósito do trabalho postural de tratar e previnir as disfunções musculoesqueléticas, de acordo com recentes pesquisas, pode ser atingido através do recrutamento da musculatura “central”, onde muitas vezes se utiliza o termo em inglês, “core”.

Há termos distintos que descrevem a musculatura central, como por exemplo “musculatura profunda”, “musculatura estática” e “musculatura anti-gravitacional”. Estes músculos atuam principalmente quando estamos sentados e em pé. Com essa musculatura preparada, protejemos nosso esqueleto durante o dia-a-dia. Estes músculos são aqueles localizados na coluna vertebral, quadril, tronco e coluna lombar.

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Você deve estar pensando: ora, mas quando falamos em postura, falamos em alongamento também, não é mesmo? Sim! Com certeza. O equilíbrio muscular, na grande maioria das vezes, é obtido através do trabalho de fortalecimento e alongamento muscular e apresenta sua efetividade proporcional a conscientização corporal, ou seja, quanto mais consciência tivermos do nosso corpo frente às atividades que executamos, melhor será nosso desempenho postural.

 

Outro fator é que todos os músculos do nosso corpo atuam uns com os outros, formando o que chamamos de cadeias musculares. Sendo assim, é necessário um trabalho postural que vise o corpo inteiro. Desta forma, é necessária a criação de uma técnica que envolva o trabalho de força e alongamento, para a obtenção da harmonia muscular e, pensando nisso, surgiram não apenas uma, mas várias técnicas de adequação postural.

Algumas técnicas, segundo seu próprio criador, devem ser realizadas individualmente, enquanto que outras podem ser em grupo. Ainda, de acordo com a necessidade de cada indivíduo, o terapeuta pode usufruir de aparatos que a técnica disponibiliza.

As técnicas possuem posturas e tempo de manutenção variáveis. Na medida que o paciente evolui, a terapia pode ser incrementada com posturas mais difíceis. Além disso, as terapias variam entre os equipamentos, a maca e o solo, podendo ser realizadas nas posições deitada, sentada ou em pé.

Há alguns anos que venho desenvolvendo terapias posturais, descubro sempre coisas muito interessantes. Hoje em dia, por uma série de motivos distintos, como por exemplo idade, objetivo do tratamento, conscientização corporal, atividades praticadas, entre outros fatores, vejo que a melhor forma de se atingir o objetivo proposto é a junção de várias técnicas. Além disso, tornar a terapia postural mais dinâmica pode ser mais produtivo ao paciente, seja ele criança ou adulto.

Muitas vezes, as pessoas falam que a terapia postural as deixou mais seguras e aptas a retornarem à sua rotina diária, tendo o tratamento sido cirúrgico ou não.

Enfim, vamos conhecer um pouco mais de perto as terapias posturais mais utilizadas no Brasil e no mundo, como foram idealizadas pelos seus criadores e quais são os objetivos de cada uma.

Referências Bibliográficas

1. Emery K, De Serres SJ, McMillan A, Côté JN. The effects of a Pilates training program on arm-trunk posture and movement. Clin Biomech (Bristol, Avon). 2009 Oct
 
2. Kuo YL, Tully EA, Galea MP. Sagittal spinal posture after Pilates-based exercise in healthy older adults. Spine (Phila Pa 1976). 2009 May 1;34(10):1046-51.
 
3. Konrad P, Schmitz K, Denner A. Neuromuscular Evaluation of Trunk-Training Exercises. J Athl Train. 2001 Jun;36(2):109-118.
 
4. Katz-Leurer M, Rotem H, Keren O, Meyer S. The effects of a home-based task-oriented exercise programme on motor and balance performance in children with spastic cerebral palsy and severe traumatic brain injury. Clin Rehabil. 2009
 
5. Chen TL, Mao HC, Lai CH, Li CY, Kuo CH. [The effect of yoga exercise intervention on health related physical fitness in school-age asthmatic children]. Hu Li Za Zhi. 2009 Apr;56(2):42-52.
 
6. Kane K, Bell A. A core stability group program for children with developmental coordination disorder: 3 clinical case reports. Pediatr Phys Ther. 2009 Winter;21(4):375-82.

 

 

 

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