Interfaces de contato

O problema da osteólise não foi resolvido por implantar-se componentes sem cimento. Pior ainda, reportaram defeitos ósseos tanto em componentes não cimentados que não eram estáveis como naqueles que eram estáveis. Nos estudos subseqüentes à suspeita de que eram as partículas de cimento que provocavam as lesões ósseas, descobriu-se que esses defeitos ósseos na verdade eram provocados pela resposta inflamatória às partículas de desgaste do polietileno. Essas partículas resultavam em inflamação e instabilidade articular, assim como afrouxamento (soltura) dos componentes. Interfaces de contato alternativas então começaram a ser pesquisadas, como metal contra um polietileno mais resistente, chamado de “cross-link”, ou mesmo superfícies articulantes chamadas “duras” como metal no metal e cerâmica na cerâmica são usados na tentativa de reduzir o desgaste e aumentar a longevidade das próteses totais especialmente em pacientes jovens e muito ativos. Os estudos iniciais de curto prazo do polietileno “cross-link” demonsta menor desgaste quando comparado ao polietileno convencional.

As superfícies de metal articulando no metal foram muito usadas na década de 60. Naquela época o desenho e o polimento do metal combinado com as dificuldades na fixação condenaram essas próteses à falha precoce. No entanto, algumas dessas próteses com um determinado desenho duravam bastante, sem as dificuldades associadas à osteólise associada ao polietileno. Isso levou ao ressurgimento do interesse no estudo das propriedades da interface de metal-metal, tanto em laboratório quanto quando implantados. Essas superfícies têm taxa de desgaste extremamente baixas, algo como 0,004 mm por ano comparado a 0,1 mm do polietileno. O metal não é quebradiço ao contrário da cerâmica, fazendo com que os componentes não precisem ser espessos. Com isso, para um dado tamanho de acetábulo, pode ser implantada uma cabeça femoral maior, o que promove maior estabilidade articular e maior arco de movimento. Apesar de parecer a superfície ideal de contato, há o problema da geração de íons metálicos que caem na corrente sanguínea (cromo e cobalto) que são detectáveis também na urina. Ainda não foram reportados efeitos biológicos adversos de longo prazo na literatura.

A cerâmica foi introduzida em 1970. Têm baixo coeficiente de fricção, pouco desgaste e é resistente à abrasão, além de não ter potencial para liberação de íons na corrente sanguinea e na urina, como nas próteses de interface metal no metal. As partículas de desgaste não provocam forte reação do organismo. Contudo, a cerâmica tem o potencial de quebrar, o que pode vir a ser a limitação para o uso desse material. Com a melhora do processo de fabricação da cerâmica desde que ela foi idealizada, as quebras diminuíram drasticamente. Outro problema relatado na cerâmica é o rangido. Existem relatos de rangido articular audível provocado pela fricção nas interfaces de cerâmica.

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