Dor facetária

A dor de origem facetaria na coluna lombar é também causa comum de dor na região glútea profunda e deve ser não só pensada, como também diagnosticada no diferencial das dores da região glútea profunda.

A dor que provém das facetas da coluna vertebral lombar é causa comum de dor lombar baixa na população adulta.

Golthwaite foi o primeiro a descrever em 1911 e a Gornley foi o autor creditado o termo síndrome facetária em 1933.

A dor facetária é definida como a dor que começa de qualquer estrutura que é parte das facetas articulares lombar incluindo a cápsula fibrosa, a membrana sinovial, a cartilagem hialina e o osso.

A prevalência varia muito em diferentes estudos e menos de 5% até 90% das causas de dor na região lombosacral.

Baseado em informações de estudos que foram feitos em pacientes selecionados na população, estima-se que a prevalência seja entre 5% e 15% da população que tem dor lombar.

Como ela pode irradiar para dor glútea profunda, deve ser pensada como causa de dor glútea profunda.

Como a artrose é também uma causa proeminente de dor facetogênica, a prevalência aumenta com a idade do paciente. Em casos raros a dor facetaria pode ser resultado de eventos traumáticos específicos como traumas de alta energia ou a combinação de hiperflexão da coluna, extensão e distração. Contudo, mais comumente, é o resultado de estresse repetitivo e cumulativo ou microtraumas.

Isso leva a inflamação o que leva a faceta articular ser preenchida por líquido inflamatório e inchar e demasia, resultando em alargamento da capsula articular e subsequentemente geração de dor.

As inflamações subsequentes e alterações inflamatórias ao longo das facetas podem irritar as raízes nervosas provocando ciática, além também de provocar alterações locais nos nervos próximos, provocando dor local da mesma forma e com isso confundindo os diagnósticos. Figura 1.

Igarashi et.al., demonstraram que a citocinas inflamatórias liberadas na capsula ventral das facetas articulares nos pacientes com degeneração da faceta articular por artrose podem ser responsáveis pela dor neuropática do indivíduo com estenose espinhal.

Outros fatores predisponentes são espondilólises, espondilolistese, doença degenerativa do disco intervertebral e idade avançada.

Artigo de 1976 demonstrando imagens da dor facetaria e área de irradiação da dor.

Fig. 1. Artigo de 1976 demonstrando imagens da dor facetaria e área de irradiação da dor.

 

Como quadro clinico a mais frequente queixa é dor lombar baixa, que também pode ser irradiada para coxa e região da virilha o que torna a confusão diagnóstica bastante grande.

A dor originaria da faceta superior pode estender para o flanco, quadril, região lateral da coxa enquanto que a dor da faceta inferior pode irradiar para a porção posterior da coxa. Devem ser descartadas dores originárias de órgãos retroperitoneais e pélvicos.

A dor para baixo do joelho é raramente associada com a síndrome facetaria, sendo mais comum em alterações dos discos intervertebrais.

O exame físico desta afecção pode ser outro grande problema, porque não há exame físico característico para diagnóstico por causa da dor facetaria ser originária de elementos móveis da coluna.

Também é possível que a dor seja piorada pela flexão e extensão, sendo sugestiva de afecções envolvendo a coluna vertebral baixa ou a coluna lombo sacral.

 

Referências

1) Lamer TJ. Lumbar spine pain originating from vertebral osteophytes. Reg Anesth Pain Med. 1999 Jul-Aug;24(4):347-51.

2) Maarten VK, Pascal V, Steven PC, Arno L, Jan VZ, Nagy M. Pain Originating from the Lumbar Facet Joints. Pain Practice, Volume 10, Issue 5, 2010 459–469.

 

 

 

 

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